As narrativas podem designar-se abertas ou fechadas, conforme a ação se desenvolva ou não até impedir outra continuação devido ao seu desenlace.
Em muitos romances, devido à sua complexidade e à presença de intrigas secundárias, podem coexistir ações abertas com ações fechadas.
O termo espaço não se aplica somente ao lugar onde se desenrola um certo acontecimento, mas também designa um ambiente, um meio social, cultural ou civilizacional.
O espaço social constitui a vivência que cada personagem tem do espaço físico ou de um espaço de emoções e sensações.
O espaço social e cultural caracteriza a situação social e económica ou o meio em que vivem as personagens.
O espaço cultural integra-se, normalmente, no espaço social, embora remeta mais para valores culturais, tradições e costumes, formação cultural.
Os ambientes resultam dos espaços físicos, sociais, culturais e psicológicos, constituindo cenários importantes para retratar situações, hábitos, atitudes, valores.
O tempo marca a sucessão cronológica, indica a duração ou, com o espaço, contextualiza histórica, cultural e socialmente os eventos; mas a ordenação dos acontecimentos pode suceder em transgressão à ordem cronológica e resultar de outros fatores como relações de valores. Daí que se deva distinguir a ordem real e a ordem textual.
A maioria ou quase totalidade dos romances e novelas apresenta anacronias, ou seja, um desencontro entre a ordem temporal dos acontecimentos e a ordem por que são narrados no discurso.
O tempo do discurso ou da narrativa obedece à sequência do próprio enunciado, podendo alongar, resumir, alterar ou omitir os dados do tempo cronológico.
A prolepse constitui um recuo no tempo, evocação de factos (flashback, na terminologia cinematográfica).
O tempo psicológico traduz as vivências subjetivas das personagens, dando-lhes uma perceção do decorrer do tempo, diferente da sucessão e duração do tempo cronológico.
A caracterização indireta é efetuada através dos elementos fornecidos pelo narrador; através das palavras da personagem e das outras personagens; com a descrição dos aspetos físicos e psicológicos.
A caracterização direta é feita a partir das atitudes, dos gestos, dos comportamentos e dos sentimentos da personagem ou a partir dos símbolos que a acompanham, o leitor forma as suas próprias opiniões acerca das características físicas ou psíquicas da personagem.
As personagens planas ou tipos são estáticas, sem vida interior, sem densidade psicológica, dado que não alteram o seu comportamento, nem evoluem psicologicamente; definidas de forma linear por um ou vários traços que as acompanham ao longo da obra. Como personagens-tipo, representam, muitas vezes, um grupo profissional ou social.
As personagens modeladas ou redondas são dinâmicas e com densidade psicológica, cheias de vida interior, capazes de surpreenderem o leitor pelas suas atitudes e comportamentos.
As personagens secundárias servem apenas para funções decorativas dos ambientes.
O narrador é a entidade virtual, criada pelo autor, cujo papel é o de narrar a história.
Consoante a estratégia utilizada, o narrador pode ser participante, como protagonista (autodiegético) ou personagem secundária (homodiegético), ou mero observador ou testemunha (heterodiegético). Pode, entretanto, optar por contar, ele próprio, a história (extradiegético) ou delegar essa tarefa numa segunda instância, situada no interior da sua narrativa (intradiegético).
Quanto à ciência do narrador, costuma distinguir-se três tipos de focalização: omnisciente, em que ele simula conhecer todo o objeto da sua narração (passado, presente e futuro); externa, em que finge conhecer apenas o que vê como testemunha ou narrador-personagem; interna, em que ele penetra no íntimo das personagens, deixando-se condicionar pelas suas limitações.